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domingo, 30 de setembro de 2007

Outono

O Outono é um peão do Inverno, Chega e reparte cartas,
Desnuda as árvores e os sentimentos,
Veste de cinzento a imagem momentânea,
Do poente e, no fardo descaído das tardes,
Fulmina as folhas, que planeiam, rendidas,
Como aparições sem volume,
Incumbidas de designar,
O gesto intolerável de uma impotência e uma derrota.
Nos decepcionará a primeira imagem,
Do ignóbil que oferece,
O Outono é unicamente um peão do Inverno.

As minhas estações são aqui, na minha ilha,
O mito do idêntico: “um eterno verão”,
E o Outono é o cinzento.









O leito pródigo das folhas,

A larguíssima soma de uma tristeza,
Mais além do espaço em que habitas,
À distância de um pensamento.

Enquanto no Verão tudo é inocente,
No Outono tudo é sombrio,
Também, não se anuncia cerimonialmente,
Como a primavera que surge simplesmente,
Deixando-nos instalados na perplexidade de que o tempo se desvaneça.
Não se pode duvidar que o Outono,
Possui o mais assombroso poder de transformação,
Figura inteligente que altera,
A natureza, o homem e a mulher,
Move sentimentos, arranca amores,
E nos deixa desnudos diante o frio da solidão.

(E o Outono é o cinzento, estação após estação é a cor do meu "estar"...)
Gostei do Poema de Taliesin o Poeta

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Por meu gosto...

(José Rui Teixeira)

Já se viram
num lugar que não é seu,
com tudo revirado,
como quem se perdeu
ou na pressa, foi deixado?

Busca-se algo que se conheça
ou que pareça
com o que se está acostumado..

Verdade!
Precisamos sobreviver,
então, buscamos fazer parte!

Nessas horas se deseja ter
outro nome,
outro rosto,
outra identidade..

Se fosse por meu gosto
ficaria de costas
para esse mundo infame
ou olharia de longe
a tal da humanidade!