sábado, 30 de junho de 2007
FIREHOUSE - when i look into your eyes
Não posso fugir do meu sentir
Fujo sempre de encontro a ti…
Mesmo com dor
Prefiro a dor à ausência. Não sei mais nada...
"Coração do Dia"
Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.
-Eugénio de Andrade-
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.
-Eugénio de Andrade-
sexta-feira, 29 de junho de 2007
“Amor perfeito baah..."
O conceito de amor vai mudando ao longo da vida. Quando jovenzinhos, com as hormonas aos saltos, achamos que o mundo é perfeito e que a nossa alma gémea existe, basta procurá-la bem.
Na casa dos vinte, essa idealização da alma gémea já desapareceu. Depois de tanto batermos com a cabeça no tecto, apenas queremos encontrar alguém que nos ature e que seja fácil de aturar.
Aquando trintões, o pensamento já é mesmo “casar, casar já!”. Vemos casais por tudo o que é lado, a nossa família quer ver-nos amarrados a alguém custe o que custar e a lista de casos que não passaram disso ocupam já duas folhas A4.
Depois, já casados e quarentões, vivemos a monotonia da vida. Já experimentámos todas as posições, já sabemos de cor como é o corpo do outro cônjuge e apenas parecemos viver para os nossos filhos. Amor fica sinónimo de convivência, habituação.
Em velhos, então, amor já se transformou mesmo em dependência.
Eu sei que estou a generalizar e que esta é uma imagem muito negativa daquilo que é uma vida a dois, mas a minha situação actual é de total desacreditação face àquilo a que chamam de Amor. Não estou com paciência para engates, para o começar tudo de novo, para o paraíso das primeiras semanas e a desilusão das seguintes.
Não sou fácil namorada, admito. Há uma música do António Variações que reproduz na íntegra o que sou numa relação: “Eu só estou bem onde não estou, porque eu só quero ir aonde não vou”. Quero quem não tenho e ignoro quem me quer. Quando estou com pessoas carinhosas aquilo parece-me muito lamechas, quando estou com alguém que nada tem de romântico só me apetece é olhares de velas. Quando dou sim… quero receber e quando recebo não me sabe bem…(in)constante
Não me considero uma pessoa difícil (nem pouco mais ou menos), mas no que concerne a relações, caramba, será que ainda tenho um longo caminho a percorrer…
Uma amiga uma vez disse-me que o meu mal era ser demasiado exigente.
A coisa não está fácil para o meu lado, não por falta de opções. É sim porque hoje, agora... não acredito no amor. E amanhã?
Na casa dos vinte, essa idealização da alma gémea já desapareceu. Depois de tanto batermos com a cabeça no tecto, apenas queremos encontrar alguém que nos ature e que seja fácil de aturar.
Aquando trintões, o pensamento já é mesmo “casar, casar já!”. Vemos casais por tudo o que é lado, a nossa família quer ver-nos amarrados a alguém custe o que custar e a lista de casos que não passaram disso ocupam já duas folhas A4.
Depois, já casados e quarentões, vivemos a monotonia da vida. Já experimentámos todas as posições, já sabemos de cor como é o corpo do outro cônjuge e apenas parecemos viver para os nossos filhos. Amor fica sinónimo de convivência, habituação.
Em velhos, então, amor já se transformou mesmo em dependência.
Eu sei que estou a generalizar e que esta é uma imagem muito negativa daquilo que é uma vida a dois, mas a minha situação actual é de total desacreditação face àquilo a que chamam de Amor. Não estou com paciência para engates, para o começar tudo de novo, para o paraíso das primeiras semanas e a desilusão das seguintes.
Não sou fácil namorada, admito. Há uma música do António Variações que reproduz na íntegra o que sou numa relação: “Eu só estou bem onde não estou, porque eu só quero ir aonde não vou”. Quero quem não tenho e ignoro quem me quer. Quando estou com pessoas carinhosas aquilo parece-me muito lamechas, quando estou com alguém que nada tem de romântico só me apetece é olhares de velas. Quando dou sim… quero receber e quando recebo não me sabe bem…(in)constante
Não me considero uma pessoa difícil (nem pouco mais ou menos), mas no que concerne a relações, caramba, será que ainda tenho um longo caminho a percorrer…
Uma amiga uma vez disse-me que o meu mal era ser demasiado exigente.
A coisa não está fácil para o meu lado, não por falta de opções. É sim porque hoje, agora... não acredito no amor. E amanhã?
quinta-feira, 28 de junho de 2007
" Soneto de Aniversário"
Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre ilusões e desenganos.
Faça-se a carne mais envelhecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpera embranquece
E fica tenra a fibra que era dura
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
-Vinicius de Moraes-
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre ilusões e desenganos.
Faça-se a carne mais envelhecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpera embranquece
E fica tenra a fibra que era dura
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
-Vinicius de Moraes-
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Tempo de outro tempo
Calor da manhã...
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