terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

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Às vezes sou precisa como bússola.
Em outras, me perco na vastidão de mim.
Às vezes sou asas imensas.
Em outras, sou chão, raízes firmes.
Às vezes sou âncora segura.
Em outras, um barco a deriva.
Às vezes sou olhar calmo e sereno.
Em outras, todo o espanto nos olhos.
Às vezes vou ao limite, sou ponto final.
Em outras, um mundo de reticências.
Em outras, o sentir da saudade.
Às vezes, a calmaria de águas plácidas.
Em outras, a ferocidade do mar revolto.
Às vezes, sou cores vibrantes.
Em outras, uma soturna palidez.
Às vezes, sou música contagiante.
Em outras, abissal silencio se faz.
Às vezes, sou inteira.
Em outras, sou fragmentos.
Hoje…

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

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Quando as palavras
secam na garganta
no momento exacto de as dizer
parecem rochas encrostadas na terra
impossíveis de as moldar.

Fico na impotente ansiedade
como náufrago, sem gritar.

Sei como são cruéis
e tiranas as palavras
que se recusam a pronunciar-se
naquele exacto momento
em que mais são precisas.

Quando me acontece contigo
substituo-as pelo olhar
e as mãos dizem o resto...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

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"Amo-te sem saber como, nem quando, nem de onde,
Amo-te directamente, sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
a não ser deste modo em que não sou nem és,
tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
tão perto que se fecham teus olhos com meu sono."

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

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Tens sete olhares diferentes.
Um quando vez a noite entrar no céu devagarinho.
Outro, um olhar partido, quando os pés tocam o caminho molhado pela manhã.
Durante aquela musica, o teu olhar é de chuva.
Quando sentes o cheiro de cafe, das ondas, de uma laranja o teu olhar é brilhante.
Tens um de vidro. Quando olhas mas não vés.
É cego o teu olhar se me tocas.
Um que nunca vi com medo de gastar as cores que deles jorram ate chegarem a mim.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

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Quando de manhã me olho no espelho e o tempo permite que me encontre com as linhas traçadas no meu rosto, observo e penso como cada uma delas denuncia tudo o que a vida já me ofertou. Em cada vinco há um toque de sabedoria, vivida na experiência das lágrimas e dos sorrisos...em cada risco uma marca de Amor, de Saudade, de Alegria.


A minha face é o livro da minha vida, onde tantas páginas já foram escritas e outras, ainda em branco, são escritas também pelas mãos que comigo as têm desenhado em cada detalhe, profundas e felizes, repletas de tanto que a vida nos tem oferecido.


E o tempo passa...a vida escoa-se, em cada minuto reconheço o tão pouco que sei, o tanto que tenho ainda para aprender...Mas esse pouco é o que falta para tudo o resto e com ele poderei chegar ao todo. Mesmo sabendo que perfeição não existe, tento a cada instante aproximar-me, buscando em cada gota de tempo a luz da sabedoria e da serenidade e, em cada gesto das mãos que comigo estão, todos os pedaços de Vida que tenho para Viver.


Amar-te, preencher o tempo que nos é permitido Viver.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

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Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei às romãs a cor do lume.

Foi para ti que pus no céu a lua
e o verde mais verde dos pinhais.
Foi para ti que deitei no chão
Um corpo aberto como os animais.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

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Compreendo que do outro lado de mim
Haja um quarto vazio
Sem uma gota de memória
Dos lapsos da minha história
Compreendo que o meu tempo esteja errado
Equivocado
E viva à frente da minha memória
Fico zangada comigo quando não o agarro
Ou o deixo fugir
Compreendo mas cansa-me a inteligência abstracta
Compreendo no quarto vazio
As memórias sem data