terça-feira, 31 de julho de 2007

Saudade...nunca se perde...só se transforma...

É aquela pressão no peito, aquelas lembranças que vão e vêm. Tal como quando inspiramos e expiramos. Algumas fazem-nos sorrir, outras as lágrimas quase cair.
Dói…dói…dói tanto que até quase sufoca. Tentamos pensar em coisas melhores, pensar em nos próprios, ver tudo pelo lado positivo e tirar partido da ausência. Tempos depois já nos faz lembrar de como seria se a outra metade estivesse presente.
Com uma estalada tentamos recordar, que quem parte nunca volta. Quem volta, se volta, não volta igual, não será a mesma pessoa, os seus sentimentos não serão iguais, NADA SERÁ IGUAL! Tudo será estranho, o mundo onde se viveu, quem se conheceu, as promessas e o pecado que se cometeu!
O Passado aqui ficará, e será sempre o passado que não volta mais!
A alegria de lembrar os momentos bons acalma os pensamentos de tristeza pela perda, mas segundos depois causa aquela dor no peito de saudade.
Como vinda do nada aquela ânsia, de abraçar de sentir o calor o respirar bem próximo de alguém que é único, toma conta de nós.
Um dia disseram…” não fiques triste porque perdeste, fica contente porque um dia foi teu/tua”…a frase é bonita…mas no que ajuda ela quem nunca chegou a ter a plenitude?
Que o tempo passe, mas que passe depressa, pois só este tem o dom de acalmar esta dor. Só o tempo ira deixar vencer a ternura o doce, a compreensão por este carinho que nunca irá acabar, só ficar mais forte…mas solitário!
O que mais faz doer, é a promessa feita que sabemos ser esquecida, e a certeza de que esta saudade morrerá um dia sem nunca ter conhecido correspondente!
Será sempre a eterna saudade de um sonho que nunca existiu!

O grande consolo, é que o mundo não pára, continua, e por ninguém se deve parar…e isso faz pensar que mais alem estará uma dor igual que nos encontrará…

Onde estás?


Onde estás oh sono que me não vens buscar, envolver-me nos teus braços, pegar ao colo os meus cansaços e embalar-me.
Preciso de dormir, preciso de gritar antes de dormir, gritar este querer, este poder que vem da alma e se sucumbe em palavras que o coração pleno grita no silêncio de mais uma noite. O céu está escuro, o manto negro da noite envolveu tudo em meu redor, só eu continuo aqui sentada, eu e a minha alma, triste devaneios loucos escritos em relance na pressa de um fervilhar de dedos.

Onde estás oh sono? Anda buscar-me! Já me cansei de ilusões e de multidões, sabes o que quero, sabes quem eu quero, leva-me para que possa sonhar, querer é poder e sonhar é mais que poder, é realizar... ser feliz vivendo como se fosse real o que na realidade nem eu estou certa existir.
Mas é bom adormecer tranquila com esta sensação gostosa a encher-me o peito de ar, com esta serenidade que me permite respirar calmamente... sentimento profundo, verdadeiro!

Um bem-querer, um mal poder, mas um sonho será sempre uma felicidade...

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Dar e Receber

Fiquem com esta reflexão:

É comum ouvirmos dizer que amar alguém exige da parte de quem ama uma entrega ao outro. Mas não será isto o caminho mais certo para o fim da relação amorosa? Eu penso que sim, e passo a explicar porquê.

É através das relações com outras pessoas, lugares, acontecimentos ou objectos que podemos existir como algo identificável. O que somos relativiza-se ao que não é. Por isso, as relações humanas devem ser encaradas como construtivas e formativas da identidade de cada um. Nesse sentido, o propósito válido para as relações e para tudo na vida só pode ser um: ser e decidir quem realmente somos.

Mas o que fazemos quando iniciamos uma relação com alguém? A maioria das vezes se entra numa relação com os olhos postos naquilo que se pode lucrar e não no que podemos lá pôr. Esperamos que o todo seja maior que a soma das partes e acabamos por descobrir, mais tarde ou mais cedo, que é menor. E porquê? Porque nos concentramos no outro, na forma como ele corresponde aos nossos ideais e como nós correspondemos aos dele. Um e outro ser exercem uma pressão enorme para ser toda a espécie de coisas que não é, mas que, não querendo desiludir, se esforçam terrivelmente por ser e fazer... até não conseguirem mais, até já não conseguirem desempenhar o papel que lhes foi atribuído. Cresce, então, o ressentimento e, a seguir, a revolta. Aí começam a reclamar o que na realidade são e querem ser... altura em que dizem: estás diferente.

O propósito de uma relação não pode ser, portanto, o outro mas sim nós próprios. Devemos deixar que cada um dos parceiros(as) envolvidos na relação se preocupe com o Eu. A concentração no outro, a obsessão pelo outro é o que faz com que as relações fracassem. Por isso, para mim, amar alguém não é entrega... é partilha do que cada um é e quer ser. Amar é partilhar com alguém a plenitude de nós próprios.

O último amor

Era o último amor. A casa fria,
os pés molhados no escuro chão.
Era o último amor e não sabia
esconder o rosto em tanta solidão.

Era o último amor. Quem advinha
o sabor pela escuridão?
Quem oferece frutos nessa neve?
Quem rasga com ternura o que foi verão?

Era o último amor, o mais perfeito
fulgor do que viveu sem as palavras.
Era o último amor, perfil desfeito
entre lumes e vozes passadas.

Era o último amor e não sabia
que os pés à terra nua oferecia.

domingo, 29 de julho de 2007

É isso Aí


É isso aí
Como a gente achou que ia ser
A vida tão simples é boa
Quase sempre
É isso aí
Os passos vão pelas ruas
Ninguém reparou na lua
A vida sempre continua
Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar
É isso aí
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade
É isso aí
Um vendedor de flores
Ensinar seus filhos a escolher seus amores
Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não vou parar de te olhar

A Esperança Segundo Eluard

E UM SORRISO

"A noite nunca acaba
Há sempre pois que digo
Pois que o afirmo
No extremo da mágoa uma janela aberta
Uma janela iluminada
Há sempre um sonho de guarda
Desejo a cumular
Fome a satisfazer
Um coração generoso
Uma mão estendida uma mão aberta
Uns olhos atentos
Uma vida a se repartir a vida"

Paul Eluard - Últimos Poemas de Amor

Nós é que tanta vez passamos sem ver a mão aberta que nos estendem.
Nós é que tanta vez esperamos em vão que uma mão aberta se estenda para nós.

sábado, 28 de julho de 2007


Maravilhosa, adoro o Poema,gosto de pessoas simples!
Maria Bethânia é tudo isso...