quarta-feira, 23 de maio de 2012

Diz-me amor...


Diz-me, amor, como te sou querida,
Conta-me a glória do teu sonho eleito,
Aninha-me a sorrir junto ao teu peito,
Arranca-me dos pântanos da vida.

Embriagada numa estranha lida,
Trago nas mãos o coração desfeito,
Mostra-me a luz, ensina-me o preceito
Que me salve e levante redimida!

Nesta negra cisterna em que me afundo,
Sem quimeras, sem crenças, sem turnura,
Agonia sem fé dum moribundo,

Grito o teu nome numa sede estranha,
Como se fosse, amor, toda a frescura
Das cristalinas águas da montanha!
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Breve ilusão

Que bem que me faz agora o mal que me fizeste. E sem ironia aceita a minha eterna gratidão, mas não me mereces-te! diz Florbela Espanca a quem foi um dia o seu amor

Por tudo o que me deste
inquietação cuidado
um pouco de ternura
é certo mas tão pouca
Noites de insónia

Pelas ruas como louca
Obrigada, obrigada
Por aquela tão doce
e tão breve ilusão

Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita

A minha gratidão
Que bem que me faz agora
o mal que me fizeste
Mais forte e mais serena

E livre e descuidada
Sem ironia amor obrigada
Obrigada por tudo o que me deste

Por aquela tão doce

e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui

Sem ironia aceita
A minha gratidão



Florbela Espanca
(1894-1930)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011


Há sempre ao dobrar de cada esquina o despertar de um
Mundo novo…

Pensa
com sensatez antes de dar um passo…
Ele pode não ter retorno.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

...


No meu silêncio converso várias vezes com Deus!

Eu sinto-o presente e numa destas conversas perguntei-lhe, porque me tinha enviado um Anjo em forma de Mulher?

Fez-se silêncio… e perguntei depois: existe algo entre nós: ajuda, amor?

Aí, senti um sinal especial no meu corpo e alma!

Reflecti e lembrei-me de frases dela e outra minha!

Ela: Tu marcaste minha vida, existes dentro de mim!

Eu: Uma completa o outra!

E naquele silêncio de Deus percebi que a voz do silêncio é a voz do Infinito!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

o meu corpo está debaixo do teu
e tantas vezes me apetece cuspir fogo,
ser de carne e água,
abrir uma flor secreta à razão dos teus lábios,
inspirar-te,
tremer vírgula a vírgula o esquecimento,
segurar-te com as mãos de outra mulher.
mas há uma noite ao fundo deste medo
que se aproxima de nós com uma faca,
há uma noite ao fundo de nós
que se aproxima do medo,
com a fúria do inconcretizável,
e corta, mil vezes, o mesmo braço,
e, na ponta da lâmina, o braço cai.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011


"Ao fim de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão, e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoio, E que companhia nem sempre significa segurança. E começas aprender que beijos não são contratos, E presentes não são promessas. E não importa quão boa seja uma pessoa. Ela vai ferir te de vez em quando, e precisas perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar as dores emocionais. Descobres que se leva anos a construir confiança, e apenas segundos a destruiu-la. E que podes fazer coisas num segundo, de que te arrependerás o resto da vida. Aprendes que as verdadeiras amizades crescem independentemente da distância, e que o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens. Descobres que as pessoas de quem tu mais gostas, são te retiradas muito depressa. Por isso, devemos deixá-las sempre com palavras de amor, pois pode ser a última vez que as vimos. Aprendemos que a paciência requer muita prática. Aprendes que a paciência requer muita prática. Aprendes que quando estás zangado, tens direito a estar. Mas isso não te dá o direito de seres cruel. Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Muitas vezes, tens de aprender a perdoar a ti próprio. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, Tu serás, em algum momento, condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços se partiu o teu coração. O mundo não pára para que o consertes. E, finalmente, Aprendes que o tempo não é algo que se possa voltar para trás. Portanto, Planta o teu jardim e decora a tua alma, Em vez de esperares que alguém te traga flores. E percebes que realmente podes suportar… Que és realmente forte!! Que podes ir muito mais longe, depois de pensares que não podias mais. E que, de facto, a vida tem valor. E que tu tens valor diante da vida. E que só o medo de tentar, Nos faz perder o bem que poderíamos conquistar."

( Será que as palavras não significam nada? Não são as ditas da boca para fora, são as que vem de dentro, as sentidas... Eu penso que essas são "as verdades" da vida! e estas são tão sentidas em mim...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

...

Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.

Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.

Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!

Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!