domingo, 30 de setembro de 2007

Outono

O Outono é um peão do Inverno, Chega e reparte cartas,
Desnuda as árvores e os sentimentos,
Veste de cinzento a imagem momentânea,
Do poente e, no fardo descaído das tardes,
Fulmina as folhas, que planeiam, rendidas,
Como aparições sem volume,
Incumbidas de designar,
O gesto intolerável de uma impotência e uma derrota.
Nos decepcionará a primeira imagem,
Do ignóbil que oferece,
O Outono é unicamente um peão do Inverno.

As minhas estações são aqui, na minha ilha,
O mito do idêntico: “um eterno verão”,
E o Outono é o cinzento.









O leito pródigo das folhas,

A larguíssima soma de uma tristeza,
Mais além do espaço em que habitas,
À distância de um pensamento.

Enquanto no Verão tudo é inocente,
No Outono tudo é sombrio,
Também, não se anuncia cerimonialmente,
Como a primavera que surge simplesmente,
Deixando-nos instalados na perplexidade de que o tempo se desvaneça.
Não se pode duvidar que o Outono,
Possui o mais assombroso poder de transformação,
Figura inteligente que altera,
A natureza, o homem e a mulher,
Move sentimentos, arranca amores,
E nos deixa desnudos diante o frio da solidão.

(E o Outono é o cinzento, estação após estação é a cor do meu "estar"...)
Gostei do Poema de Taliesin o Poeta

1 comentário:

butterfly disse...

Bonito poema.
O Outono tem cores quentes e sabe a mel.
Beijo