sexta-feira, 27 de julho de 2007

Quase...


Ainda pior que a convicção do não,
é a incerteza do talvez,
é a desilusão de um quase!

É o quase que me incomoda,
que me entristece, que me mata trazendo tudo
que poderia ter sido e não foi

Quem quase ganhou ainda joga
quem quase passou ainda estuda
quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades
que escaparam pelos dedos
nas chances que se perdem por medo,
nas idéias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no outono

Pergunto-me às vezes,
o que nos leva a escolher uma vida morna.

A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância e
na frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "Bom dia",
quase sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem
até para ser feliz.

A paixão queima,
o amor elouquece,
o desejo trai.

talvez esses fossem bons motivos
para decidir entre a alegria e a dor.
Mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo,
o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados
e o arco-iris em tons de cinza.

O nada não ilumina,
não inspira,
não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio
que cada um traz dentro de si.

Preferir a derrota prévia
a dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Para erros há perdão,
para os fracassos, chance,
para os amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma.
Um romance cujo fim
é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste horas realizando, que sonhando...
Fazendo, que planejando...
Vivendo, que esperando...

Porque,
embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu...

1 comentário:

Rita disse...

Amiga,

Ainda bem que gostaste, fico feliz...

Com palavras simples, diz muito ou talvez tudo da essência do ser....

Beijinhos e obrigada pelas tuas palavras...

Rita Branco